Quem me vê hoje pela Lagoa, pela Urca ou por Botafogo com a matilha talvez não imagine como essa história começou.
Comecei a trabalhar com 13 anos. Passei por outros empregos antes de chegar nos cães, e cheguei quase por acaso. Meu cunhado já era adestrador e passeador havia mais de 10 anos aqui na Zona Sul e precisava de ajuda. Eu precisava trabalhar. Vinha de Nova Iguaçu e topei.
Com ele aprendi o ofício. O resto, os próprios cães me ensinaram. Cada um tem seu jeito: tem o que puxa, o que tem medo de barulho, o que só confia em você depois de um tempo. Aprender a ler isso virou a parte do trabalho que eu mais gosto.
Já são mais de 12 anos. Hoje moro na Zona Sul, perto dos cães que eu cuido.
Mas o que mais me orgulha não é o tempo. É a confiança.
Tem cachorro que eu passeio desde filhote. Tem família que já está no terceiro cão comigo. Quando alguém me entrega o cão novo da casa porque cuidei bem dos outros, eu sei que estou fazendo meu trabalho direito.
Com os anos, fiz curso de adestramento. E percebi uma coisa:




